quarta-feira, 23 de junho de 2010

Semântica

A semântica é a ciência das significações. Hoje se tem conhecimento de que as ciências não podem mais agir isoladamente, considerando-se como máxima. Sabe-se que a medicina, por exemplo, tem procurado apoio na cromoterapia, musicoterapia etc.
Linguagem, percepção e espaço, estão intimamente relacionados levando alguns lingüistas a transcreverem para o espaço estudos feitos visando anteriormente apenas à linguagem tradicional. A exemplo, Roland Barthes, em seus trabalho intitulado On the notion of place, encontra no espaço RUA todas as funções da linguagem ( poética, emotiva, referencial, etc.). Dessa forma, busca-se uma compreensão mais profunda sobre o espaço e pede-se cada vez mais a idéia errônea de que apenas as palavras possuem significado.
1.O caráter arbitrário das relações ente a palavra e o objeto (não há uma relação direta entre as palavras e as coisas que elas designam);
2.O caráter linear do significante (a impossibilidade de que numa mesma mensagem possam aparecer, de modo simultâneo, dois significantes- duas imagens acústicas, duas marcas psíquicas).
Estes princípios geraram o triângulo de odgen e Richards que foi modificado por Ullmann²,:



Nome: é a combinação dos elementos fonéticos;
Sentido: é a informação que se comunica ao ouvinte;
Objeto: está relacionado ao nome através do sentido.


____________________
1 Ferdinand de Saussure, autor do Curso de Lingüística General, Losada, Buenos Aires,1945.
2 ULLMANN, S. Autor do livro: Semântica. Introducción a la ciência del significado. Aguilar, Madri, 1976, teve seu trabalho apresentado na seguinte bibliografia: BLECUA, José Manuel. Linguística e comunicação. Rio de Janeiro: Salvat Editora do Brasil S.A., 1979, onde tomamos conhecimento.


Ou seja:
“... sentido é a informação que se transmite ao ouvinte. Ele se contém no referente e se expressa no símbolo. O significado é a relação mútua entre símbolo e sentido. É dado que tal relação é muito íntima, sentido e significado pode identificar-se”³.
Do que foi dito acima, observa-se que são mito confusas as relações entre signo e significado, sendo necessário a realização de mais estudos profundos onde o SIGNO seja definido como
“ todo e qualquer coisa que se organize ou tenda a organizar-se sob a forma de linguagem”.
A relação NOME, SENTIDO e OBJETO é mais compreensível quando se trata de coisas que não representam sentidos abstratos. Quando se trata de objetos de tipo conceptual, ou que requerem esse tipo de conceito (beleza, conforto etc.) os problemas são muitos.

O tempo e o cérebro

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:

Nosso cérebro é extremamente otimizado.

Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.

Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.

Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar
conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas..

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.

Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece?

Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).

Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa...
São apagados de sua noção de passagem do tempo...

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.

Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir -as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.

Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a rotina.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Margareth Roberts no capitulo 17 do seu livro Town Planning Techniques aborda a questão da importância da percepção no planejamento urbano e chama a atenção para os trabalhos que estão sendo desenvolvidos, como também a importância dos outros sentidos, que não só a visão e a audição. Assim. Ruído, cheiro e vibração também jogam um papel importante na percepção do meio ambiente do espaço urbano. Cabe lembrar que a mídia tem veiculado ultimamente pesquisas sobre a visão do ser humano onde, em principio, existe uma possível independência na percepção de imagens captadas por cada olho(mesmo imagens diferentes) e a possibilidade de que, através do olhar, termos um outro sentido de espaço, que não somente a dimensão visual,o que leva a crer(segundo as pesquisas) que a prótese de olhos artificiais dificultaria mesmo a capacidade perceptual das pessoas. Entretanto, são estudos que ainda estão em andamento.
Kenneth Frampton (1985), no seu antigo sobre regionalismo crítico, para a revista A&E, coloca a necessidade de se pensar numa arquitetura que se preocupe com o lugar antes de pensar o espaço. Concordamos inteiramente com o autor, tendo em vista que essa é a falha que tem demonstrado a maioria dos projetos de intervenção nos espaços públicos, notadamente nas cidades pequenas, onde de um modo geral as informações recebidas são segunda mão. Isto é, iniciativas para a melhoria da qualidade de vida urbana estão entregue às autoridades municipais, as quais lançam mão do profissional mais disponível politicamente ou financeiramente (e quase sempre desatualizado), excluindo um trabalho mais cuidadoso. É impossível pensar em intervenções, sem que ao mesmo tempo não esteja envolvida uma consulta á comunidade como primeiro passo.
As cidades de pequeno e médio porte são as vítimas mais constantes dessas “boas intenções” e em Minas Gerais, inúmeras cidades tiveram suas praças principais agredidas por tais intervenções, onde o objetivo principal era tão somente modernizar-se, na tentativa de pertencer ao futuro, mesmo que para isto, ou principalmente, tivesse que destruir o seu passado.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Os Sentidos da Percepção

Elaine Cavalcante Gomes

A percepção se constitui em um aglomerado de sensações que podem ser consideradas como unidades elementares, levando à uma compreensão do objeto, mas não, necessariamente, ao seu conhecimento.
Essas sensações são reagrupadas nas cinco categorias, sendo uma para cada sentido: audição, visão, tato, paladar e olfato. Cada uma das cinco sendo representada no objeto, de modo direto ou reflexo. Exemplo: a igreja na cidade pequena é o elemento marcante visual e sonoro, sendo os sinos a voz de Deus, fé. Não só ela mexe com símbolos, mas sendo ela mesma um símbolo.

As sensações levam à compreensão do que já é presente no ato perceptivo, este como probabilidade, mas não ainda como conhecimento.
Na relação com o objeto, o fruidor é o ativo e o objeto é o passivo. Mesmo na reinvenção ou reinterpretação, através do ato perceptivo, não adquire personalidade nem pela representação da ideia, nem possibilidade ou mistura de sensação.

Embora a maioria dos planejadores e arquitetos, de um modo geral, possuam conhecimentos como a percepção ocorre e como a memória influencia a percepção, a verdade é que a maior parte do ambiente construído permanece despercebido para a média consciente dos seus usuários, pois o processo perceptivo não é somente o uso dos sentidos, mas também a interpretação de símbolos do ambiente.

SMITH (1974) concorda com COOPER (1974), que o simbolismo é o feito dos humanos que os distiguem dos macacos. O cérebro humano, neuro-anatomicamente, se divide em três partes (SAGAN, 1977):

Complexo reptiliano: mais primitivo, evolutivamente é a parte mais velha do cérebro. Tem um papel ativo no "comportamento agressivo, territorialidade, ritual e o estabelecimento de hierarquias sociais";

Sistema límbico: parte do cérebro que gera "emoções fortes e vívidas, notadamente medo e timidez". Segundo SAGAN, provavelmente foi neste período de desenvolvimento que os símbolos se estabeleceram.

Neocórtex: evolutivamente é a parte mais nova do cérebro. Controla os comportamentos mais "avançados", "especialmente abstrair memória racional e sofisticada". SMITH (1974) considera que o neurocórtex só progrediu significativamente nos últimos 5000 anos.

Assim como se acredita que a linguagem possua "estruturas profundas" que controlam (CHOMSKY, revisto por GREENE, 1972), o cérebro também possuiria essas "estruturas profundas" que controlariam o ambiente simbólico. Assim, o límbico contém um apetite por referências simbólicas, que nos remetem aos arquétipos.
O neocórtex, responsável pela exploração e excitação seria contrabalançado pelo sistema límbico, que necessita de segurança e harmonia entre o indivíduo e o ambiente. Logo, o sistema límbico perceberá o ambiente como modo de fuga, o que de uma certa forma interfere na apreciação da natureza.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Percepção Ambiental

"O perceptor ambiental manifesta seu conhecimento sobre o ambiente e nele tem seu comportamento ambiental, por representações que são a imagem dele para o ambiente e do ambiente para ele, que constrói como uma edificação arquitetônica no percurso da sua vida ambiental: imagens que são da memória e que são do momento em que as capta e decodifica."

(MONZÉGLIO, 1994)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Proposta

A proposta de criação de um grupo que trabalhe com pesquisas relativas à percepção do ambiente construído e à memória e preservação de conjuntos arquitetônicos vêm ao encontro de carência de estudos nessa área e à necessidade de dar ao estudante de graduação e pós-graduação de arquitetura e urbanismo, condições de aprofundamento em questões que dizem respeito diretamente ao exercício da profissão de arquiteto, qual seja a intervenção em conjuntos arquitetônicos, de cidades históricas ou não, considerando os elementos imateriais, responsáveis por sua sustentabilidade enquanto testemunhos da formação dos núcleos urbanos e do caráter identitário dos grupos sociais a ele ligados.
 
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