segunda-feira, 3 de maio de 2010

Os Sentidos da Percepção

Elaine Cavalcante Gomes

A percepção se constitui em um aglomerado de sensações que podem ser consideradas como unidades elementares, levando à uma compreensão do objeto, mas não, necessariamente, ao seu conhecimento.
Essas sensações são reagrupadas nas cinco categorias, sendo uma para cada sentido: audição, visão, tato, paladar e olfato. Cada uma das cinco sendo representada no objeto, de modo direto ou reflexo. Exemplo: a igreja na cidade pequena é o elemento marcante visual e sonoro, sendo os sinos a voz de Deus, fé. Não só ela mexe com símbolos, mas sendo ela mesma um símbolo.

As sensações levam à compreensão do que já é presente no ato perceptivo, este como probabilidade, mas não ainda como conhecimento.
Na relação com o objeto, o fruidor é o ativo e o objeto é o passivo. Mesmo na reinvenção ou reinterpretação, através do ato perceptivo, não adquire personalidade nem pela representação da ideia, nem possibilidade ou mistura de sensação.

Embora a maioria dos planejadores e arquitetos, de um modo geral, possuam conhecimentos como a percepção ocorre e como a memória influencia a percepção, a verdade é que a maior parte do ambiente construído permanece despercebido para a média consciente dos seus usuários, pois o processo perceptivo não é somente o uso dos sentidos, mas também a interpretação de símbolos do ambiente.

SMITH (1974) concorda com COOPER (1974), que o simbolismo é o feito dos humanos que os distiguem dos macacos. O cérebro humano, neuro-anatomicamente, se divide em três partes (SAGAN, 1977):

Complexo reptiliano: mais primitivo, evolutivamente é a parte mais velha do cérebro. Tem um papel ativo no "comportamento agressivo, territorialidade, ritual e o estabelecimento de hierarquias sociais";

Sistema límbico: parte do cérebro que gera "emoções fortes e vívidas, notadamente medo e timidez". Segundo SAGAN, provavelmente foi neste período de desenvolvimento que os símbolos se estabeleceram.

Neocórtex: evolutivamente é a parte mais nova do cérebro. Controla os comportamentos mais "avançados", "especialmente abstrair memória racional e sofisticada". SMITH (1974) considera que o neurocórtex só progrediu significativamente nos últimos 5000 anos.

Assim como se acredita que a linguagem possua "estruturas profundas" que controlam (CHOMSKY, revisto por GREENE, 1972), o cérebro também possuiria essas "estruturas profundas" que controlariam o ambiente simbólico. Assim, o límbico contém um apetite por referências simbólicas, que nos remetem aos arquétipos.
O neocórtex, responsável pela exploração e excitação seria contrabalançado pelo sistema límbico, que necessita de segurança e harmonia entre o indivíduo e o ambiente. Logo, o sistema límbico perceberá o ambiente como modo de fuga, o que de uma certa forma interfere na apreciação da natureza.

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